quinta-feira, 8 de maio de 2025

Biodiversidade noturna da cidade de Chaves

 Biodiversidade noturna da cidade de Chaves



A biodiversidade das cidades tem várias dimensões, entre as quais a fauna noturna, tradicionalmente menos estudada e conhecida, nomeadamente pela população. Para colmatar essa circunstância, em linha com o City Nature Challenge 2025, realizou-se na cidade de Chaves uma atividade para aprofundar o conhecimento da fauna noturna urbana, promovida pelo Grupo Galego-Transmontano da associação Ecologistas Galiza Atlântica e Verde, com o apoio do canal de divulgação ambiental Alto Tâmega Selvagem (https://www.youtube.com/@altotamegaselvagem2769/videos) e do Projeto Lunária (https://www.facebook.com/profile.php?id=61575317553383), contando com a colaboração especializada dos peritos Paulo Barros (especialista em morcegos) e Ana Ferreira (especialista em borboletas).

 

O programa incluiu o registo da ocorrência de espécies de morcegos em 5 quadrículas (300 x 400 m) da malha urbana de Chaves, com recurso a seguidores/gravadores de ultrassons. Igualmente, durante o período noturno, foi feita a amostragem de morcegos (pelo método de captura e posterior libertação no próprio local), bem como amostragem de borboletas e de outros insetos noturnos.

 

Apesar das condições climatéricas terem sido um pouco desfavoráveis (vento moderado e por vezes intenso), conseguiu-se, ainda assim, o registo de 8 espécies de morcegos (cerca de 1/3 do total de espécies existentes em Portugal Continental [1]), das quais se destaca a Plecotus austriacus, dado o seu estatuto de conservação mais sensível, estando classificada no Livro Vermelho como Quase Ameaçado (NT) e que foi confirmada em 2 das quadrículas amostradas.

 

Igualmente meritória de nota, a ocorrência de Nyctalus leisleri, espécie arborícola, reforçando a importância dos espaços urbanos arborizados e das galerias ripícolas autóctones, para a conservação deste grupo de fauna selvagem. Também a Myotis daubentonii deve ser destacada, pois de acordo com o Atlas dos Morcegos de Portugal Continental [2] é uma espécie fortemente associada a habitats aquáticos, como lagos ou linhas de água, alimentando-se quase exclusivamente de insetos pousados ou a sobrevoar os planos de água, podendo também caçar em áreas florestadas e pomares.

 

Em colaboração com o Projeto Lunária, a amostragem de borboletas noturnas, confirmou a presença de 12 espécies, das quais 11 não estavam listadas para a zona na avaliação da biodiversidade urbana de Chaves, recentemente efetuada [3]. Destacamos as espécies Tethea ocularis, fortemente associada a bosques de folhosas e que atua como bioindicadora de ecossistemas preservados e Eudonia angustea que habita zonas húmidas e margens de cursos de água, como o rio Tâmega, dependendo especificamente de micro-habitat com musgos e líquenes, onde as suas larvas se desenvolvem.

 

Deste evento, participado por cerca de 25 pessoas (incluindo várias crianças em idade escolar), de Portugal e da Galiza, ficou evidente a importância do estudo e divulgação dos valores ambientais existentes em espaços urbanos e a intenção de replicar e alargar atividades de ciência cidadã nesta região.

 

Como resultado de cariz mais institucional, está já em curso, a possível inclusão da cidade de Chaves no roteiro mundial do City Nature Challenge 2026, num processo coordenado pelo Grupo Galego-Transmontano, da associação Ecologistas Galiza - Atlântica e Verde.


Referências:

[1] Barros, P. (2012). Contribución al conocimiento de la distribución de quirópteros en el norte y centro de Portugal. Barbastella 5 (1): 19-31. http://dx.doi.org/10.14709/BarbJ.5.1.2012.04

[2] ICNF (2024). Atlas de Morcegos. https://sig.icnf.pt/portal/apps/mapviewer/index.html?layers=0d26526ca5b049a3a6e8da783f32fb9

[3] Fachada, M.A. (2024). Conservação da Biodiversidade Urbana: Contributos para a cidade de Chaves. Dissertação de Mestrado em Cidadania Ambiental e Participação. Universidade Aberta. 109pp.


Vídeo da atividade:



Ver o vídeo na conta de Youtube de Alto Tâmega Selvagem:

https://youtu.be/sdcBgwPTgCk?si=lCiP2eUsLvxqRrWn


Fotografias da atividade:










Momentos prévios:

Colocação de detetores e gravadores de ultrassons de morcegos:






Colocaçao de métodos para captura científica de morcegos e borboletas noturnas:




Cartazes do evento:



Muitíssimo obrigado pelo interesse.

quinta-feira, 20 de março de 2025

Uma rota pelo Parque Natural do Invernadoiro, 19 de março de 2025

Na quarta-feira 19 de março, o colectivo Ecologistas Galego-Transmontano, fizemos uma rota pelo Parque Natural Montes do Invernadoiro, em pleno Maciço Central Ourensão, com o privilégio de contarmos com as explicações de uma excelente guia do pessoal do parque.


Nuns prados ao início do parque vimos muitos narcisos, acha-se que podiam ser da espécie Narcissus bulbocodium mas não se parou a os identificar nem a os fotografar.

Nymphalis polychloros, estava no interior dumas instalações do parque, ainda estaria hibernando


Buracos feitos por peto-verdelho, Picus viridis 

Lavandeira-branca, Motacilla alba

Rabirruivo-preto, Phoenicurus ochruros

Outras espécies de aves detectadas mas não fotografadas neste troço foram as seguintes:

-Pimpim, tentilhão, Fringilla coelebs
-Estorninho-preto, Sturnus unicolor
-Merla, melro-preto, Turdus merula
-Corvelo, gralha-preta, Corvus corone
-Buxato, águia-de-assa-redonda, Buteo buteo
-Ferreiriño-real, chapim-real, Parus major
-Tordo-galego, Turdus philomelo
-Gaio, Garrulus glandarius
-Paporroibo, pisco-de-peito-ruivo, Erithacus rubecula

Ribeira Pequena

Antigo viveiro florestal

Levada de auga tradicional

Neste traxecto viu-se uma bubela, Upupa epos, não fotografada.

Pâo-e-queijo, Primula acaulis

Leitarega, Euphorbia amygdaloides


Gagea nevadensis


Larício, Laryx cf. decidua


Também se viram pegadas de veado, Cervus elaphus.

Um curioso penedo de seixo, quarcita, no meio do rio da Ribeira Pequena.

Pinheiro silvestre, Pinus sylvestris


Noiro húmido



Fento-pente, Blechnum spicant








Truitas, Salmo trutta




Leitarega, Euphorbia amygdaloides


Líquen Lobaria pulmonaria



Blechnum spicant


Piornos, Genista florida



Líquen barva-de-velho, Usnea sp.

Líquen do género Usnea

Líquen do género Usnea



Açafrão bravo, Crocus cf. carpetanus


Dente-de-cão, Erythronium dens-canis



Dente-de-cão, Erythronium dens-canis, com uma lagarta, eiruga (?)

Dente-de-cão, Erythronium dens-canis


A planta seca da esquerda é uma Digitalis purpurea do passado ano

Erva-de-namorar, Armeria sp.




Urze-molar, Erica cf. arborea








Azafrão-bravo, Crocus cf. carpetanus, forma (?) alba


Dexecto de mustelídeo (?)





Dente-de-cão, Erythronium dens-canis


Líquen barva-de-velho, Usnea sp.



Hepáticas (?)



Lobaria pulmonaria

Cavalos domésticos do Parque Natural

Um prazer, muitíssimo obrigados!